Ensino bilíngue: o que é e como funciona?

criança com fone de ouvido e segurando livros em contato com outras culturas através do ensino bilíngue

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A busca e a oferta pelo ensino bilíngue está em expansão no Brasil. Nos últimos 5 anos, houve um aumento do número de escolas bilíngues no país, de 6% a 10%, segundo dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi)

Apesar desse crescimento, a consultoria JK Capital afirma que apenas 3% das escolas privadas brasileiras oferecem uma educação bilíngue. Ou seja, ainda existem muitas oportunidades neste mercado.

Não é novidade o interesse em aprender uma segunda língua, especialmente o inglês. E por que será que essa procura é tão grande? Sem dúvidas, a habilidade de falar um segundo idioma cria oportunidades incríveis, ainda mais num mundo globalizado como o que vivemos hoje.

Mas será que somente quem fala um outro idioma como o inglês, por exemplo, é bilíngue? Na verdade, não. Os indígenas também são considerados falantes bilíngues, afinal, a língua portuguesa é a segunda língua deles. 

Da mesma forma, os surdos têm o português como segundo idioma, sendo o primeiro a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Interessante, não é? Saiba mais detalhes sobre o que é o ensino bilíngue e como ele funciona.

O que é ensino bilíngue?

Quando o estudante aprende uma segunda língua, além da sua primeira (a língua materna), estamos falando do ensino bilíngue. Porém, no ensino bilíngue não se aprende apenas a língua, como num curso de inglês, por exemplo, em que o foco está, geralmente, na estrutura gramatical e na pronúncia. 

No caso da educação bilíngue, o estudante aprende sobre diversos conteúdos por meio de uma segunda língua, assim como acontece com a língua materna. Isso significa que ocorre uma imersão no idioma, tanto a nível linguístico quanto a nível cultural.

Há diversas maneiras de aprender um segundo idioma, seja na escola de Educação Básica, em um curso de idiomas ou até de maneira autodidata. Aqui vamos nos ater ao ensino bilíngue e como ele se aplica no dia a dia educacional.

Independentemente da metodologia, o inglês é, sem dúvidas, o idioma mais presente no ensino bilíngue. Isso porque, atualmente, ele é a língua mais falada em todo o mundo. 

Justamente por isso, é considerada uma língua franca, falada por pessoas das mais diferentes nacionalidades, servindo como língua de comunicação e interação de forma global.

Esse entendimento de língua franca também é contemplado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), conforme segue abaixo, com grifo nosso:

“[…] o tratamento dado ao componente na BNCC prioriza o foco da função social e política do inglês e, nesse sentido, passa a tratá-la em seu status de língua franca. […] Esse entendimento favorece uma educação linguística voltada para a interculturalidade, isto é, para o reconhecimento das (e o respeito às) diferenças, e para a compreensão de como elas são produzidas nas diversas práticas sociais de linguagem, o que favorece a reflexão crítica sobre diferentes modos de ver e de analisar o mundo, o(s) outro(s) e a si mesmo.”

Inclusive, na BNCC, o ensino de inglês é obrigatório a partir do 6° ano do Ensino Fundamental. Mas será que existe uma idade certa ou recomendada para começar a aprender inglês ou outro idioma?

Qual é o objetivo da educação bilíngue?

A educação bilíngue busca fomentar o aprendizado de outra língua, formando pessoas que possam ter uma vivência contínua em outro idioma, promovendo maior consciência, diversidade e respeito às culturas. Além disso, busca abrir mais oportunidades na vida pessoal e profissional. É fato que muitas portas se abrem para quem fala mais de um idioma, certo?

O inglês, por exemplo, é altamente requisitado no mercado de trabalho, tanto nas vagas nacionais quanto internacionais. Mas antes de entrar no mundo do trabalho, o estudante pode ter diversas oportunidades, como o ingresso em alguma universidade no exterior, a participação em trabalhos voluntários ou a realização de um intercâmbio.

Falar inglês também abre portas para fazer amizade com estrangeiros, sem falar nas possibilidades de acesso à cultura de diversos países, através de filmes, livros e viagens.

Nesse sentido, a escola tem um papel fundamental ao oferecer um ensino bilíngue. O estudante terá, assim, contato com um novo idioma, o que muitas vezes pode não acontecer fora do ambiente escolar.

Como funciona o ensino bilíngue?

O parecer n° 2/2020 apresenta as Diretrizes Nacionais para a Educação Plurilíngue no Brasil, estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação e pela Câmara de Educação Básica. De acordo com esse documento, o ensino bilíngue é composto por:

  • Escolas bilíngues;
  • Escolas com Carga Horária Estendida em Língua Adicional;
  • Escolas Brasileiras com Currículo Internacional;
  • Escolas Internacionais;

Neste artigo, daremos mais detalhes sobre as Escolas Bilíngues e as com Carga Horária Estendida em Língua Adicional:

Escola bilíngue

Uma escola bilíngue precisa seguir as Diretrizes Nacionais para a Educação Plurilíngue no Brasil, conforme parecer n° 2/2020 do Conselho Nacional de Educação e da Câmara de Educação Básica:

“As Escolas Bilíngues se caracterizam por promover currículo único, integrado e ministrado em duas línguas de instrução, visando ao desenvolvimento de competências e habilidades linguísticas e acadêmicas dos estudantes nessas línguas.”

Na prática, o estudante recebe educação na língua materna e na segunda língua, em geral, o inglês. Assim, ocorre uma imersão no idioma, pois o estudante não aprende o inglês, mas pelo inglês.

Esse formato potencializa o ensino da língua, pois os estudantes têm contato direto e constante com ela. Contudo, para que uma escola bilíngue seja eficiente, é fundamental que todos os profissionais escolares sejam capacitados, não apenas os professores.

Afinal, o bilinguismo começa na escola. Por isso, todas as áreas escolares (administrativo, financeiro, secretaria, biblioteca, etc.) precisam de profissionais que entendam minimamente o idioma, promovendo um atendimento de qualidade aos estudantes que se comunicarem pelo inglês.

Programa bilíngue

Ao contrário da escola bilíngue, o programa bilíngue não tem todo o currículo estruturado na segunda língua, afinal, apenas alguns componentes curriculares são ensinados em inglês.

Por esse motivo, as escolas que funcionam dessa maneira não podem ser escolas bilíngues, conforme vimos no parecer n° 2/2020 do CNE/CEB. 

Na verdade, elas são chamadas de Escolas com Carga Horária Estendida em Língua Adicional que, segundo o mesmo parecer, “se caracterizam por promover o currículo escolar em língua portuguesa em articulação com o aprendizado de competências e habilidades linguísticas em línguas adicionais, sem que o desenvolvimento linguístico ocorra integrada e simultaneamente ao desenvolvimento dos conteúdos curriculares.”

Nem por isso, o programa bilíngue fica em desvantagem. Afinal, também promovem o contato com o inglês na escola, contribuindo para o que chamamos de input, que explicado de maneira simples, nada mais é do que o contato com a língua inglesa. 

Quanto maior o input, maior a aquisição de vocabulário, compreensão estrutural da língua, consciência fonética e percepção da língua em uso real.

Como a tecnologia atua como parceira do ensino bilíngue?

Para tornar o ensino bilíngue ainda mais atrativo, a tecnologia pode ser tida como uma aliada. Hoje, com os avanços tecnológicos, o estudante consegue fazer uma imersão na língua sem sair do país.

Seja na escola bilíngue ou no programa bilíngue, ferramentas como plataformas gamificadas, realidade estendida (virtual ou aumentada) ou currículos bilíngues com soluções digitais são exemplos de como potencializar a aprendizagem do estudante com a tecnologia. 

Confira outros benefícios que a tecnologia pode proporcionar ao se integrar com o seu ensino bilíngue:

  • Gera autonomia e protagonismo ao estudante no processo de ensino-aprendizagem;
  • Oferece ferramentas robustas que, em conjunto com outras metodologias de ensino alinhadas à BNCC, potencializam o desenvolvimento dos estudantes;
  • Engaja os estudantes nativos digitais que enxergam a tecnologia como um fator de motivação para o aprendizado;
  • Reduz custos com materiais impressos e, ao mesmo tempo, torna a sua escola sustentável usando uma ferramenta 100% digital;
  • Oportuniza o desenvolvimento das quatro habilidades linguísticas (listening, reading, writing, speaking);
  • Usa as tecnologias a favor do fortalecimento de habilidades cognitivas e socioemocionais.

Qual é a idade certa para começar?

Há diversos estudos que indicam que quanto mais cedo uma pessoa tiver contato com uma língua adicional, maior será a facilidade e a rapidez para o aprendizado.

Logo, o contato com a língua é recomendado já na primeira infância. Isso porque o cérebro de uma criança tem mais neuroplasticidade do que o cérebro de um adulto, ou seja, está em desenvolvimento cognitivo constante.

Isso não significa que se a criança começar a aprender inglês mais tarde, no Ensino Fundamental, por exemplo, não terá um bom aproveitamento.

Pelo contrário, outros estudos indicam que existe uma idade crítica para a aquisição de uma língua, que acontece desde os dois anos de idade até a puberdade.

Depois desse período, ainda é possível aprender um novo idioma, mas o processo se torna um pouco mais desafiador, justamente porque o cérebro já se encontra mais desenvolvido e com menor neuroplasticidade.

Mas é claro que cada família tem autonomia e sabe qual a melhor hora para colocar os filhos no ensino bilíngue. Esses estudos apenas fazem recomendações conforme evidências de pesquisas linguísticas realizadas ao longo do tempo.

Para finalizar

Agora você já conhece o que é e qual o objetivo do ensino bilíngue, como ele funciona na prática – por meio das escolas ou programas bilíngues – e qual a faixa etária recomendada para começar o contato com a segunda língua.

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