Como ajudar o estudante a desenvolver o pensamento crítico?

Como desenvolver o pensamento crítico criança pensando

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Dentre os vários benefícios de ensinar crianças e jovens sobre como desenvolver o pensamento crítico, um deles é, sem dúvidas, contribuir para a diminuição da desinformação.

Você sabia, por exemplo, que 55% dos brasileiros já compartilharam notícias falsas (fake news) sem intenção, ou seja, por acreditarem que as notícias eram verdadeiras? É o que mostra uma pesquisa realizada em 2020 pelo dfndr lablaboratório digital da PSafe especializado em crimes cibernéticos

Esse índice poderia ser reduzido se, ao consumir um conteúdo, as pessoas tivessem uma visão mais crítica para refletir se a informação é verdadeira ou falsa. Ao mesmo tempo, também é fundamental saber identificar fontes confiáveis.

Em seu livro intitulado Factfulness – O hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos, Hans Rosling traz, justamente, a importância dos fatos e dados para a construção de opiniões. O próprio nome tem a tradução em português como “veracidade”, sendo uma leitura recomendada para trabalhar este tema em sala de aula.

E por falar nisso, a escola tem um papel muito importante na formação de estudantes: incentivar o desenvolvimento da habilidade de pensar criticamente ao longo de toda a vida. 

Mas, afinal, o que é o pensamento crítico? É a capacidade de analisar temas, situações cotidianas e até a si próprio de forma racional. Ou seja, após realizar a análise crítica, toma-se uma decisão com base nos “resultados” apurados. 

Na prática, fazemos isso a todo momento. Em uma simples conversa com um amigo, é possível ponderar todos os fatos, entender diferentes pontos de vista para, só então, formular uma opinião sobre determinado assunto.

Aos poucos, conforme essa habilidade vai sendo trabalhada, esse processo se torna cada vez mais rápido. Vale destacar que o pensamento crítico está intimamente ligado ao protagonismo e à independência.

No que diz respeito a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o documento aborda essa temática nas dez competências gerais:

 “Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.” 

Também vale ressaltar que o pensamento crítico é uma habilidade socioemocional fundamental para o século 21. Dessa forma, estimular o pensamento crítico em sala de aula é importante para que os estudantes se tornem cidadãos autônomos e protagonistas.

Faça perguntas e incentive a reflexão

Para desenvolver o pensamento crítico, é fundamental questionar os estudantes, fazendo-os pensar sobre os conteúdos, conceitos, situações e problemas.

Sabemos que, muitas vezes, os estudantes não participam ativamente das aulas. Por outro lado, há professores que não estimulam esse tipo de participação, quando, por exemplo, conduzem a aula de forma unidirecional, não dando chance de o aluno interagir e refletir sobre o conteúdo.

E antes de ingressar na escola, como acontece essa relação de questionamentos? Talvez possamos refletir sobre a infância, fase em que as crianças fazem muitas perguntas para saber o porquê das coisas. 

Com o tempo, essas perguntas começam a cessar ou diminuir. Por quê? Talvez as famílias passem a dar menos atenção a estas situações. Talvez a escola não crie ambientes que estimulem as perguntas. Seja qual for o caso, a curiosidade é fundamental e instigá-la é papel da escola também.

Para Suzana Schwartz*, “[…] aprender a elaborar perguntas precisa ser prioritário em detrimento de aprender a repetir ideias.” Dessa forma, não basta que só o professor faça perguntas, os estudantes também precisam aprender a questionar, de forma estratégica, em busca de respostas que os ajudem a tomar decisões.

Nesse sentido, é preciso estimular os estudantes a participarem das aulas, criando situações em que eles exercitem a autonomia, o protagonismo e o pensamento crítico.

E por falar em tentativas de engajar os estudantes, a tecnologia ajuda muito nesse processo. Não há dúvidas de que as crianças e jovens estão imersos no mundo tecnológico fora da sala de aula. Por isso, recomenda-se que a escola acompanhe essa evolução digital, oferecendo soluções que contribuam para o desenvolvimento escolar.

Uma pesquisa realizada em 2021 pela Blink Learning mostrou dados educacionais interessantes sobre o uso de tecnologias digitais durante a pandemia da Covid-19, especialmente no período de isolamento social, antes do retorno às aulas presenciais. 

Em relação a principal vantagem de usar as tecnologias digitais, os professores entrevistados trouxeram algumas contribuições conforme abaixo:

  • 31%: tratar as informações de forma “mais leve”, permitindo armazenar, classificar e acessar as informações de qualquer lugar;
  • 27%: ajudam a adaptar-se ao estudante e ao modo como ele aprende;
  • 24%: criar comunidade. Permite ao estudante manter-se conectado caso não possa comparecer fisicamente;
  • 13% economizar tempo para encontrar e compartilhar informações ou corrigir atividades.

Esse resultado mostra que a tecnologia consegue engajar os estudantes e auxiliar os professores no dia a dia. Na sequência, apresentamos como algumas atividades ajudam a estimular o pensamento crítico, as quais podem ser realizadas também atreladas à tecnologia.

*Suzana Schwartz, Doutora e Mestre em educação pela PUCRS (Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), professora universitária e autora de diversos livros, entre eles: Falar e escutar na sala de aula: propostas de atividades práticas.

Promova atividades que desenvolvam o pensamento crítico

Uma boa forma de criar essas situações é fazer atividades que usem processos de pesquisa e investigação como etapa de resolução de problemas.

Usar metodologias ativas de aprendizagem também pode ser uma ótima alternativa. Confira alguns exemplos de atividades que podem ser feitas com os estudantes:

  • Debates: o professor pode selecionar algum tema dentro do conteúdo que está sendo estudado e promover um debate, dividindo a sala em dois grandes grupos ou vários grupos menores. Geralmente, os debates são compostos por temas polêmicos ou que geram bastante divergência de opiniões e é exatamente por isso que esse tipo de atividade ajuda os estudantes a desenvolverem o pensamento crítico.
  • Sala de aula invertida: é possível dar algum conteúdo para a turma estudar previamente, no modelo de sala de aula invertida. Para estimular o pensamento crítico, o docente pode elaborar um questionário reflexivo com perguntas estratégicas que façam a turma pesquisar. Assim, através da pesquisa, terão contato com vários pontos de vista, refletindo sobre o tema para dar as suas próprias respostas. De volta à sala de aula, pode-se promover um debate usando este mesmo questionário, em que cada estudante comenta sobre a sua resposta, discutindo com a turma.
  • Educação maker: o professor pode apresentar alguma situação-problema para a turma resolver por meio de uma atividade maker. Para isso, os estudantes precisarão fazer diversas tentativas, afinal, provavelmente não será na primeira que terão sucesso. Justamente por estimular um processo de tentativa e erro, a educação maker favorece o desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade.
  • STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematics –Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática): a metodologia STEAM busca resolver problemas ou construir projetos que causem um impacto significativo à sociedade, usando cinco etapas muito bem definidas (investigar, descobrir, conectar, criar, refletir). O docente pode propor a construção de um projeto com base em um problema ambiental, por exemplo. Dessa forma, a STEAM fará a turma desenvolver o pensamento crítico de forma bastante sistematizada. 
  • PBL (Project Based Learning – Aprendizagem baseada em projetos): essa metodologia é similar a STEAM. Diferencia-se por utilizar uma ou mais áreas de conhecimento, não necessariamente as mesmas que a STEAM. Do mesmo modo, o professor pode propor a elaboração de um projeto em que os estudantes deverão entregar um produto final.

Saiba mais: Como as metodologias ativas de aprendizagem engajam os alunos?

Além dessas práticas, é possível fazer atividades levando em conta o conceito de educomunicação. Ou seja, os professores podem estimular os jovens a criar conteúdos e compartilhá-los nas redes sociais, em blogs e outros espaços. Essas atividades são essenciais para o combate à desinformação.

Inclusive, é bastante interessante trazer para discussão em sala de aula o tema “Big Numbers” que usa números-chave e dados estatísticos como indicadores para fortalecer as notícias. 

Infelizmente, os Big Numbers são usados, muitas vezes, para mascarar as fake news. Logo, trabalhar esse tema com os estudantes auxilia nesse processo de desenvolvimento do pensamento crítico.

Por fim, os estudantes podem ser incentivados a participar da criação de um jornal da escola, um programa de rádio ou até mesmo um podcast, canais que podem ajudar a evitar a circulação de fake news e, de quebra, estimular questionamentos, análises e reflexões.

Estimule a leitura, a escrita e a interpretação textual

A leitura é uma excelente aliada do pensamento crítico. Isso porque promove a interpretação textual, não somente a nível de decodificação das palavras, mas a compreensão do texto e das mensagens que ele transmite.

A BNCC enfatiza que “o exercício da interpretação – de um texto, de um objeto, de uma obra literária, artística ou de um mito – é fundamental na formação do pensamento crítico.” 

Em outro excerto, a base cita que “a percepção de que existe uma diversidade de sujeitos e histórias estimula o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania.”

Nas aulas de língua portuguesa ou língua estrangeira, é possível fazer atividades que incentivem a leitura e a compreensão de textos. Inclusive por meio de debates, rodas de conversa, clube do livro e leituras conjuntas. 

Alguns contos e livros abordam temáticas político-sociais bastante interessantes para se trabalhar em um debate, por exemplo. Ao mesmo tempo, o estudante consegue perceber problemas políticos, sociais e econômicos ocorridos no passado e os impactos gerados naquela época, bem como a repercussão no presente.

Por outro lado, temos a escrita que envolve diversos processos cognitivos. Afinal, organizar ideias em argumentos na oralidade pode ser mais fácil do que na escrita. Em vista disso, é essencial que o estudante aprenda a escrever textos argumentativos, como artigos de opinião e resenhas críticas.

Portanto, a leitura, a interpretação textual e a escrita são ótimos exercícios que ajudam a desenvolver o pensamento crítico.

guia de ferramentas do google para professores

Encoraje a tomada de decisão

Para finalizar, é importante frisar que não se pode ficar só no mundo abstrato. O pensamento crítico serve, justamente, para facilitar a tomada de decisões conscientes, racionais e responsáveis.

As atividades que citamos antes envolvem etapas de tomada de decisão e já ajudam bastante neste processo. Porém, é fundamental que o professor encoraje os estudantes a tomar decisões no dia a dia, não só em sala de aula, mas fora dela também.

Além das metodologias ativas mencionadas durante este conteúdo, os programas socioemocionais podem apoiar (e muito) no desenvolvimento de habilidades, incluindo o pensamento crítico e a tomada de decisão.

Um programa socioemocional também ajuda a desenvolver as competências do século 21, capacitando estudantes mais conscientes das próprias emoções e preparados para enfrentar a vida adulta, pessoal e profissionalmente. Sem falar no aumento do desempenho escolar que é potencializado pelas competências socioemocionais.

Assim, você, educador, formará estudantes que não dependem de outras pessoas para fazer escolhas ou formar opiniões próprias, sendo estes condutores das suas próprias vidas.

Quais outras dicas você usa para desenvolver o pensamento crítico dos estudantes? Aproveite e saiba mais sobre a importância de desenvolver outras competências socioemocionais na escola nesta publicação.

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