O que é educação socioemocional e qual a importância?

professora e alunos em sala de aula o que é educação socioemocional

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Um estudo feito pelo Instituto Ayrton Senna mostrou que, com o desenvolvimento das competências socioemocionais, há um aumento de 11% a 17% do rendimento escolar. Impressionante, não é? Esse é apenas um dos benefícios da aprendizagem socioemocional. Mas na prática, você sabe o que é educação socioemocional e quais impactos ela causa?

A educação socioemocional vai muito além de falar sobre as emoções em sala de aula. Mudanças significativas são promovidas quando se aprende sobre competências socioemocionais na escola. Quer saber quais?

O que é e qual a importância da educação socioemocional?

A educação socioemocional é voltada para o desenvolvimento das competências socioemocionais, ou seja, àquelas ligadas ao comportamento humano.

Apesar de terem um objetivo específico, as competências socioemocionais não devem atuar sozinhas. Na realidade, elas devem caminhar junto com as competências cognitivas, complementando uma à outra para a formação integral do estudante.

Também conhecidas como soft skills, as competências socioemocionais são muito importantes, pois ajudam o estudante a administrar seus pensamentos e emoções

Através do autoconhecimento (ou autoconsciência), por exemplo, percebem a si próprios e aos outros, desenvolvendo habilidades de relacionamento que proporcionam relações mais saudáveis consigo mesmos e com as outras pessoas.

Contudo, vale reforçar que o impacto da educação socioemocional vai muito além. Quando as competências socioemocionais são trabalhadas na escola, a exemplo da inteligência emocional, problemas como bullying, cyberbullying, ansiedade e depressão são evitados.

Ao mesmo tempo, os estudantes são capazes de gerir conflitos, compreender e impactar positivamente tanto a sua vida quanto a vida em sociedade. Assim, criam ambientes mais positivos e acolhedores para todos, dentro e fora da sala de aula.

Mas afinal, essa abordagem educacional é recente? Não, ainda que só recentemente o tema tenha ganhado destaque, esse conceito é antigo. Ele foi criado pelo CASEL (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), em 1994, nos Estados Unidos.

Na época, o CASEL definiu as cinco principais competências socioemocionais que as pessoas deveriam desenvolver. Vamos entender um pouco mais sobre elas:

Principais competências socioemocionais (CASEL)

As cinco principais competências socioemocionais, segundo o CASEL, são*:

  • Autoconsciência: envolve o conhecimento de cada pessoa, bem como de suas forças e limitações, sempre mantendo uma atitude otimista e voltada para o crescimento.
  • Autogestão: relaciona-se ao gerenciamento eficiente do estresse, ao controle de impulsos e à definição de metas.
  • Consciência social: necessita do exercício da empatia, do colocar-se “no lugar dos outros”, respeitando a diversidade.
  • Habilidades de relacionamento: relacionam-se com as habilidades de ouvir com empatia, falar clara e objetivamente, cooperar com os demais, resistir à pressão social inadequada (ao bullying, por exemplo), solucionar conflitos de modo construtivo e respeitoso, bem como auxiliar o outro quando for o caso.
  • Tomada de decisão responsável: preconiza as escolhas pessoais e as interações sociais de acordo com as normas, os cuidados com a segurança e os padrões éticos de uma sociedade.

*texto extraído do site da BNCC.

Além disso, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) também contribuiu para a organização deste conceito ao definir quatro pilares da educação em sua proposta de Educação para o século 21

Pilares da educação (UNESCO)

Os quatro pilares da educação, definidos pela UNESCO, são*:

  • Aprender a conhecer: combinando uma cultura geral, suficientemente ampla, com a possibilidade de estudar, em profundidade, um número reduzido de assuntos, ou seja: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela  educação ao longo da vida.
  • Aprender a fazer: a fim de adquirir não só uma qualificação profissional, mas, de uma  maneira mais abrangente, a competência que torna a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Além disso, aprender a fazer no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho, oferecidas aos jovens e adolescentes, seja espontaneamente na sequência do contexto local ou nacional, seja formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho.
  • Aprender a conviver: desenvolvendo a compreensão do outro e a percep­ção das interdependências – realizar projetos comuns e preparar­-se para gerenciar conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.
  • Aprender a ser: para desenvolver, o melhor possível, a personalidade e estar em condições de agir com uma capacidade cada vez maior de auto­nomia, discernimento e responsabilidade pessoal. Com essa finalidade, a educação deve levar em consideração todas as potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar­-se.

*texto extraído do site da UNESCO.

Ambas as instituições, UNESCO e CASEL, contribuíram para a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), fornecendo importantes diretrizes para o documento. Vamos entender como a BNCC contempla a educação socioemocional?

As competências socioemocionais na BNCC

Na BNCC, a educação socioemocional não surge como uma proposta isolada. Tanto é que as competências socioemocionais estão presentes nas 10 competências gerais da base.

Destacamos, dentre elas, as de número 6, 8, 9 e 10, que dão maior ênfase às competências socioemocionais. Entre os temas abordados por essas quatro competências, ressaltamos:

  • A valorização da diversidade cultural, de conhecimentos e experiências;
  • A importância do autoconhecimento e do conhecimento do outro, e a relevância do autocuidado físico e emocional;
  • A importância da empatia, diálogo, cooperação, responsabilidade, resiliência e tomada de decisão.

Para consultar o documento completo, acesse a BNCC online.

Se você leu até aqui, certamente já compreendeu o que é a educação socioemocional e o quanto ela é importante para os estudantes. Mas de que forma é possível aplicar os conceitos na prática?

Buscando integrar todas as diretrizes (BNCC, CASEL e UNESCO), a escola pode escolher de que maneira aplicará o ensino das competências socioemocionais.

Um programa socioemocional, por exemplo, pode trazer algumas vantagens, como materiais didáticos criados por especialistas e suporte escolar e pedagógico. Esses fatores influenciam diretamente na qualificação dos professores, que estarão mais preparados para o processo de ensino-aprendizagem.

De outro lado, no caso das metodologias ativas, é possível trabalhar com metodologias como gamificação, STEAM e PBL que estimulam o trabalho em grupo, o pensamento crítico, a discussão de pontos de vista e a resolução de problemas e projetos. 

Importante destacar que as metodologias ativas são necessárias justamente por favorecer uma participação mais ativa dos estudantes, além de facilitar o desenvolvimento autônomo e protagonista deles. Vale lembrar que as competências socioemocionais devem ser trabalhadas de forma transdisciplinar, integrando as diversas áreas de conhecimento.

Para finalizar

Esperamos que este conteúdo tenha ajudado você a entender melhor o que é a educação socioemocional, como ela impacta a vida dos estudantes e o convívio em sociedade, como também, de que forma é possível aplicá-la na sua escola.

Que tal aproveitar para saber mais sobre o assunto? A nossa Head Pedagógica, Veruska Alves Nogueira, participou de uma entrevista para o Programa Show da Cidade da Rádio Liberdade (Caruaru/PE).  Na entrevista, Veruska compartilhou reflexões valiosas sobre a importância de programas socioemocionais nas escolas:

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